MENU CLIQUE >

Acácia e Oliveira — Da Sobrevivência ao Descanso
Essa tensão não nasce da falta de fé.
Publicado em 31/01/2026 20:49 • Atualizado 31/01/2026 20:58
Gustavo B. Min. da Graça
Ela nasce, muitas vezes, de viver a partir da fonte errada, mesmo estando no lugar certo.

Acácia e Oliveira — Da Sobrevivência ao Descanso

Ao longo da caminhada cristã, muitos filhos de Deus vivem uma tensão silenciosa: amam a Jesus, creem na obra da cruz, mas carregam um cansaço interior constante. Servem, se dedicam, buscam a Deus — e ainda assim sentem que algo está sempre “por resolver”.

Essa tensão não nasce da falta de fé. Ela nasce, muitas vezes, de viver a partir da fonte errada, mesmo estando no lugar certo. A Bíblia nos ajuda a discernir isso por meio de uma imagem simples, porém profunda: a acácia e a oliveira.

A Acácia: vida formada na aridez

A acácia é uma árvore típica do deserto.
Ela cresce em solo árido, com pouca água, sob escassez.
Suas raízes se aprofundam não para frutificar, mas para não morrer.

Espiritualmente, a acácia representa estruturas da alma que se formaram em tempos de aridez — antes da revelação da graça, ou mesmo depois do novo nascimento, quando a vida cristã ainda é interpretada pela lente do esforço.

Essas estruturas não nasceram da vida, mas da sobrevivência:

       controle excessivo;

       autossuficiência espiritual;

       perfeccionismo religioso; 

       vigilância baseada no medo;

       identidade construída em desempenho;

       dificuldade de descansar.

Nada disso é, em si, rebeldia. São mecanismos que ajudaram a alma a sobreviver quando a fonte da vida ainda não era claramente discernida.

O problema é que a acácia não produz fruto que alimenta. Seu “fruto” é seco, duro, insuficiente. Ela mantém a pessoa ativa, mas não a faz viver. Jesus disse: “A árvore é conhecida pelo seu fruto” (Mateus 12:33).

E o fruto da acácia costuma ser cansaço, tensão e pressão constante — mesmo em meio a atividades espirituais.

O solo já foi restaurado

Na Nova Aliança, o problema nunca foi o solo. Quando cremos em Cristo, algo radical acontece: “O que é nascido do Espírito é espírito” (João 3:6).  “Se alguém está em Cristo, é nova criação” (2 Coríntios 5:17). O solo foi restaurado. A fonte agora é o Espírito. A vida passou a fluir de dentro. Mas isso não significa que todas as árvores antigas desaparecem imediatamente. Algumas permanecem não porque definem quem somos, mas porque a alma ainda está aprendendo a viver a partir da nova fonte.

A Oliveira: vida que flui do Espírito

É aqui que entra a oliveira. Na Escritura, a oliveira é símbolo de vida, estabilidade e unção: “Quanto a mim, sou como oliveira verdejante na Casa de Deus” (Salmos 52:8). A oliveira não cresce na pressa.  Ela cresce devagar, mas cresce firme. E produz azeite — sinal de luz, cura e alimento.

Espiritualmente, a oliveira representa a vida de Cristo em nós: “Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim” (Gálatas 2:20).

A oliveira não cresce por esforço externo. Ela cresce por seiva interna. Jesus explicou esse princípio de forma simples: “Permanecei em Mim… quem permanece em Mim, esse dá muito fruto” (João 15:4–5). O fruto não é resultado de tentativa, mas de permanência.

Duas árvores, uma confusão comum

Aqui está um ponto crucial: muitos filhos de Deus, com boa intenção, tentam nutrir a oliveira usando ferramentas da acácia.

 Mais esforço.
 Mais cobrança.
 Mais controle.
 Mais vigilância baseada no medo.

O problema é que essas ferramentas não alimentam a vida do Espírito. Elas alimentam a velha estrutura da alma. Assim, sem perceber, o crente fortalece a acácia achando que está cuidando da oliveira. Paulo confronta isso diretamente: “Tendo começado no Espírito, agora vos aperfeiçoais na carne?” (Gálatas 3:3).

O papel das emoções nesse processo

Quando a acácia domina, as emoções governam:

       medo;

       ansiedade;

       culpa recorrente;

       pressão interior;

       sensação constante de insuficiência.

Essas emoções gritam: “Faça algo agora.” Quando a oliveira é nutrida, as emoções acompanham a vida:

       paz;

       segurança;

       alegria simples;

       confiança silenciosa.

“O reino de Deus é justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Romanos 14:17). Na oliveira, a paz se torna o árbitro: “Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração” (Colossenses 3:15).

Substituição, não confronto

Deus não começa arrancando a acácia. Ele começa nutrindo a oliveira. À medida que a vida de Cristo cresce:

       suas raízes ocupam o solo;

       sua sombra se expande;

       sua seiva redefine o ambiente.

A acácia perde espaço não por confronto direto, mas por perda de função. “Andai no Espírito e jamais satisfareis a carne” (Gálatas 5:16). Não é lutar contra a velha vida. É viver a partir da Vida.

Da sobrevivência ao descanso

A grande transição da vida cristã não é do pecado para a santidade. É da sobrevivência para o descanso. “Muito mais os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça reinarão em vida” (Romanos 5:17). Você não foi chamado para sobreviver espiritualmente. Você foi recriado para viver a partir da obra consumada de Cristo. Olhe para Jesus.  Contemple a obra consumada da cruz. O solo já foi restaurado.  A seiva já está em você. Peça ao Espírito Santo que revele o amor do Pai ao seu coração — e viva, não mais pela acácia da sobrevivência, mas pela oliveira do descanso.

Gustavo Brandão - Blog Evangelho da Graça

SEJA UM APOIADOR(A) DA H7. São 4 formas de participar. Um gesto simples, mas forte, capaz de tocar o mundo. Uma atitude que fala alto: CLIQUE AQUI E APOIE.

Comentários
Comentário enviado com sucesso!