Acácia e Oliveira — Da Sobrevivência ao Descanso
Ao longo da caminhada cristã, muitos filhos de Deus vivem uma tensão silenciosa: amam a Jesus, creem na obra da cruz, mas carregam um cansaço interior constante. Servem, se dedicam, buscam a Deus — e ainda assim sentem que algo está sempre “por resolver”.
Essa tensão não nasce da falta de fé. Ela nasce, muitas vezes, de viver a partir da fonte errada, mesmo estando no lugar certo. A Bíblia nos ajuda a discernir isso por meio de uma imagem simples, porém profunda: a acácia e a oliveira.
A Acácia: vida formada na aridez
A acácia é uma árvore típica do deserto.
Ela cresce em solo árido, com pouca água, sob escassez.
Suas raízes se aprofundam não para frutificar, mas para não morrer.
Espiritualmente, a acácia representa estruturas da alma que se formaram em tempos de aridez — antes da revelação da graça, ou mesmo depois do novo nascimento, quando a vida cristã ainda é interpretada pela lente do esforço.
Essas estruturas não nasceram da vida, mas da sobrevivência:
● controle excessivo;
● autossuficiência espiritual;
● perfeccionismo religioso;
● vigilância baseada no medo;
● identidade construída em desempenho;
● dificuldade de descansar.
Nada disso é, em si, rebeldia. São mecanismos que ajudaram a alma a sobreviver quando a fonte da vida ainda não era claramente discernida.
O problema é que a acácia não produz fruto que alimenta. Seu “fruto” é seco, duro, insuficiente. Ela mantém a pessoa ativa, mas não a faz viver. Jesus disse: “A árvore é conhecida pelo seu fruto” (Mateus 12:33).
E o fruto da acácia costuma ser cansaço, tensão e pressão constante — mesmo em meio a atividades espirituais.
O solo já foi restaurado
Na Nova Aliança, o problema nunca foi o solo. Quando cremos em Cristo, algo radical acontece: “O que é nascido do Espírito é espírito” (João 3:6). “Se alguém está em Cristo, é nova criação” (2 Coríntios 5:17). O solo foi restaurado. A fonte agora é o Espírito. A vida passou a fluir de dentro. Mas isso não significa que todas as árvores antigas desaparecem imediatamente. Algumas permanecem não porque definem quem somos, mas porque a alma ainda está aprendendo a viver a partir da nova fonte.
A Oliveira: vida que flui do Espírito
É aqui que entra a oliveira. Na Escritura, a oliveira é símbolo de vida, estabilidade e unção: “Quanto a mim, sou como oliveira verdejante na Casa de Deus” (Salmos 52:8). A oliveira não cresce na pressa. Ela cresce devagar, mas cresce firme. E produz azeite — sinal de luz, cura e alimento.
Espiritualmente, a oliveira representa a vida de Cristo em nós: “Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim” (Gálatas 2:20).
A oliveira não cresce por esforço externo. Ela cresce por seiva interna. Jesus explicou esse princípio de forma simples: “Permanecei em Mim… quem permanece em Mim, esse dá muito fruto” (João 15:4–5). O fruto não é resultado de tentativa, mas de permanência.
Duas árvores, uma confusão comum
Aqui está um ponto crucial: muitos filhos de Deus, com boa intenção, tentam nutrir a oliveira usando ferramentas da acácia.
Mais esforço.
Mais cobrança.
Mais controle.
Mais vigilância baseada no medo.
O problema é que essas ferramentas não alimentam a vida do Espírito. Elas alimentam a velha estrutura da alma. Assim, sem perceber, o crente fortalece a acácia achando que está cuidando da oliveira. Paulo confronta isso diretamente: “Tendo começado no Espírito, agora vos aperfeiçoais na carne?” (Gálatas 3:3).
O papel das emoções nesse processo
Quando a acácia domina, as emoções governam:
● medo;
● ansiedade;
● culpa recorrente;
● pressão interior;
● sensação constante de insuficiência.
Essas emoções gritam: “Faça algo agora.” Quando a oliveira é nutrida, as emoções acompanham a vida:
● paz;
● segurança;
● alegria simples;
● confiança silenciosa.
“O reino de Deus é justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Romanos 14:17). Na oliveira, a paz se torna o árbitro: “Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração” (Colossenses 3:15).
Substituição, não confronto
Deus não começa arrancando a acácia. Ele começa nutrindo a oliveira. À medida que a vida de Cristo cresce:
● suas raízes ocupam o solo;
● sua sombra se expande;
● sua seiva redefine o ambiente.
A acácia perde espaço não por confronto direto, mas por perda de função. “Andai no Espírito e jamais satisfareis a carne” (Gálatas 5:16). Não é lutar contra a velha vida. É viver a partir da Vida.
Da sobrevivência ao descanso
A grande transição da vida cristã não é do pecado para a santidade. É da sobrevivência para o descanso. “Muito mais os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça reinarão em vida” (Romanos 5:17). Você não foi chamado para sobreviver espiritualmente. Você foi recriado para viver a partir da obra consumada de Cristo. Olhe para Jesus. Contemple a obra consumada da cruz. O solo já foi restaurado. A seiva já está em você. Peça ao Espírito Santo que revele o amor do Pai ao seu coração — e viva, não mais pela acácia da sobrevivência, mas pela oliveira do descanso.
Gustavo Brandão - Blog Evangelho da Graça
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